Jeitinho (de) brasileiro

Ousei fazer um comentário ácido no twitter, que levou a umas críticas tão inflamadas que nem pareciam ter como motivação um comentário que, bem, foi escrito no TWITTER, um canal onde VEZ OU OUTRA pode-se ler algo de menor insignificância.  Na verdade o tweet foi apenas para anunciar que eu escreveria este post aqui, então vou deixar aquela discussão pra outra oportunidade. Segue o post.

Nunca fui particularmente fã de viajar. Geralmente eu digo que “até gosto” do destino, mas “o trajeto” é o que me mata. Talvez seja trauma de ter quase a vida inteira estudado em cidades diferentes de onde morava a minha família, o que me obrigava constantemente a viajar de ônibus e… bom, a gente vê coisas estranhas em ônibus. O Filipe (@homemacido) que o diga. Ele viajava de ônibus frequentemente para o Norte de Minas. Não faltam relatos sobre pessoas carregando galinhas e cabras no veículo. Já teve também dupla sertaneja ensaiando durante a viagem? ou estou imaginando?

Qualquer pessoa que já tenha viajado de avião aqui no Brasil, nesses voos fretados a preço de banana, ou com passagens superpromocionais, sabe que o quadro não é muito diferente dos relatos do Filipe. É uma gritaria, gente tirando vasilhas da bolsa e comendo coisas farelentas, crianças indisciplinadas correndo, apertando freneticamente o botão de chamar a comissária de bordo etc. É o caos. A comissária pede para afivelar o cinto e colocar a poltrona na posição vertical, o passageiro resmunga, obedece, a comissária vira as costas e eles reclinam a poltrona de novo. Ter que chamar a atenção de gente adulta, uma coisa fora de controle.

Aí eu viajei para a Europa ano passado. Minha então namorada (hoje esposa) e eu viajamos um pouco por lá, e compramos as passagens de avião mais baratas que havia. Por serem voos tão baratos, eu já imaginava testemunhar o mesmo caos que eu já conhecia. Para minha surpresa, o que eu vi foi bem o oposto: mesmo estando os voos lotados, as pessoas eram discretas e ordeiras. Conversavam umas com as outras, mas num tom baixo e (por que não dizer?) educado.

E assim seguiu-se pacificamente de aeroporto em aeroporto até o dia de voltar pra o Brasil. Um voo de Hannover até Frankfurt, igualmente pacífico. Sigo até a sala de embarque da TAM com destino a São Paulo e… bem na minha cara: aí está o caos brasilis que eu conheço. Aquele monte de brasileiro expressando sua brasilidade.

Já tinha ouvido relatos de gente que ficou um certo tempo fora do Brasil e, logo ao retornar, sentia o impacto da personalidade espaçosa do brasileiro. Eu achava que isso era birra mas, quando entrei naquela sala de embarque, eu percebi que o brasileiro tem mesmo um “jeitinho”, um jeito de ser que, quando se está sempre por perto, não se nota, mas que, ao se ausentar por um tempo, mesmo um tempo curto, reconhece-se imediatamente ao se retomar o convívio.

É difícil determinar se esse jeitinho espalhafatoso é bom ou ruim. Bom pra quem? Ruim pra quem? Quem curte? No fim, vai da afinidade de cada um. E só para não parecer que eu sou bonzinho e imparcial, desprovido de preconceitos (not me), fica o lembrete: é de todo esse calor humano que vem o axé, OK? OK.

Eu poderia ter reconhecido esse mesmo jeitinho em outros povos, caso me deparasse com eles? Em italianos, talvez? Ou quem sabe em russos? Pode ser, mas só posso falar de brasileiros, porque apenas em brasileiros vi o tal jeitinho. E foi apenas em brasileiros que tive o infortúnio de observar, no voo que me trouxe ontem de Lisboa de volta ao Brasil, umas atitudes que de “jeitinho” nada têm e que são na verdade exemplos tirados a dedo de tudo que se fala mal sobre brasileiros. Mas isso fica para o próximo post.

3 respostas para Jeitinho (de) brasileiro

  1. Celo disse:

    Brasileiros são perceptíveis de longe. Era comum andar pelas ruas do Japão e notar que “Aquele ali é brasileiro! Aquele outro também!”.

  2. homemacido disse:

    Não vi ensaio de dupla sertaneja em ônibus não, mas já vi crianças querendo brincar de pega-pega em avião. Hoje em dia, a única diferença que vejo entre ônibus e avião é o tempo de viagem. Comportamento e atitudes são as mesmas. Aliás, viajar de ônibus é mais confortável em termos de poltrona e espaço. Mas em termos de educação, não há nenhuma diferença significativa. Talvez num cruzeiro maritimo eu veja alguma diferença relevante. E tenho dito.

  3. […] Lisboa. Na sala de embarque, aquele axé todo nas pessoas, aquele calor humano que eu já comentei anteriormente. Já havia notado no ano anterior que os brasileiros também ignoram as instruções do embarque […]

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