Solidariedade sim, mas a quem?

Faz diferença se minhas doações são para tratar alguém lutando contra um câncer, ou para manter alguém em estado vegetativo?

Acabei de atender ao periódico telefonema do pessoal da ADV, que me liga cerca de uma vez por mês pedindo doações. Sempre que ligam, explicam o destino do dinheiro. Desta vez, era para comprar uma tal de “cama de casca de ovo”, que supostamente é mais arejada e reduz as feridas que surgem no corpo de pacientes que vivem sobre uma cama. O paciente em questão é uma criança com paralisia cerebral.

OK, dei minha contribuição. Aí eles agradecem, dizem coisas do tipo “que o Pai Celestial lhe dê em dobro”, algo que eu acho meio forçado e fora de lugar, porque creio que as pessoas fazem as doações por motivos não apenas espirituais, religiosos, cristãos, etc. Mas enfim, estou dando minha humilde contribuição para ajudar quem precisa de ajuda.

Eu não conheço essa ADV. Toda vez que me ligam, convidam-me para visitá-los e conhecer seu trabalho, mas eu nunca fui. Espero que não estejam me roubando. Por que então as minhas doações vão sempre para eles? Porque eles me acharam, por telefone. Eles ligaram numa das linhas do PABX da empresa, me acertaram aleatoriamente, me pediram, eu aceitei, e agora eles sempre me encontram. E eu quase sempre ajudo. E até encontro certo conforto em ter deixado ao Acaso a escolha do destino das minhas doações. É tanta gente precisando… Como escolher?

Comentando com amigos, percebo que muitos questionam o propósito das doações que eu faço. Os casos da ADV são sempre algo como: uma senhora de idade avançada que precisa de um medicamento caro para permanecer viva, uma criança com uma doença degenerativa que fatalmente e em breve irá matá-la, uma pessoa em estado vegetativo, etc. Já cheguei a ouvir o seguinte:

Por que ajudar a manter vivo alguém que não está realmente vivo? Ou que não tem a menor chance? E que jamais poderão fazer algo de bom e útil no mundo? Se é para ajudar, que ajude alguém jovem, forte, cuja sobrevivência possa ter algum valor no mundo.

Chega a me dar um aperto no coração a ideia de escolher quem tem valor no mundo, e quem não tem.

E quem faz doações para centros de animais, então? É errado deixar de ajudar humanos para ajudar animais?

De qualquer forma, desde que me lançaram esse questionamento, eu fiquei em dúvida sobre redirecionar minhas doações a outra instituição.

2 respostas para Solidariedade sim, mas a quem?

  1. Pedro Storti disse:

    Você deve doar para aquilo que faz sentido pra você. Seja um abrigo de animais, um centro espirita ou a sociedade mundial dos colecionadores de unhas cortadas, o que importa é a ação. Nao existe uma boa ação melhor que a outra. O que vale é que o tipo de entidade cósmica em que você acredita (Deus, Buda, Karma, A Força, ou Saori Kido) computa isto na sua ficha, se realmente for um ato altruísta.

  2. Renner disse:

    Você deve doar para aquilo que faz sentido pra você. Seja um abrigo de animais, um centro espirita ou a sociedade mundial dos colecionadores de unhas cortadas, o que importa é a ação. Nao existe uma boa ação melhor que a outra.[2]

    EU não prolongaria a vida de um vegetal. Mas esse é o MEU posicionamento quanto à questão.

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