Der Meister

Começo a escrever este post com um quinto do ímpeto que tinha ao ter decidido escrever sobre o assunto, mais ou menos um mês atrás. E uns 90% do tal ímpeto vezes cinco eram compostos de pura raiva e desilusão. Pois bem, o tempo passa, as emoções se arrefecem, então, apenas para exorcisar, aí vai minha opinião sobre Mestrado, depois de eu ter concluído o meu.

Vou começar lembrando que eu fiz a minha inscrição no Mestrado faltando quatro minutos para o fim das inscrições. E que apenas umas 3 horas antes comecei a juntar a bagaceira de documentos que eles exigem. Sim, foi bem de última hora. Por quê? Porque eu não queria fazer Mestrado. Eu não queria mais qualquer tipo de relação com a Universidade. Até porque, como relatei antes, eu levei 90 anos para me formar. Eu só me decidi porque um certo professor sugeriu que eu poderia ganhar uma bolsa de estudos enquanto desenvolvia o projeto-de-empresa que acabou dando certo. Foi um dinheiro bem útil por sinal; financiou coisas importantes, apesar de não ser muito.

Outro motivo por eu na época não ter vontade de fazer Mestrado era a impressão que eu tinha de que a Elite Intelectual Plena Absoluta era quem fazia esse tipo de pós-graduação, e eu não me sentia parte desse grupo, porque eu não era um pesquisador. Em pouco tempo, descobri duas coisas: 1) percentualmente, tem mais gente burra fazendo Mestrado do que fazendo graduação; e 2) eu tenho sim perfil de pesquisador. Acho a atividade de pesquisa muito estimulante.

Aquela primeira constatação me deixou bastante desanimado. Houve ocasiões em que eu nem tinha vontade de ir até o fim, porque eu pensava (e até falava meio alto às vezes): “eu estou aqui ralando, fazendo pesquisa científica com seriedade, com afinco, pra ganhar o mesmo título que AQUELE ENERGÚMENO INÚTIL INCOMPETENTE?” Mas isso é bobagem, né, porque não é porque o seu “colega” é um inútil que você precisa ser um também. Entretanto, até que essa verdade óbvia instalou-se na minha mente, eu fiquei meses esbravejando que Mestrado era uma uma idiotice, que não servia pra nada, que qualquer um fazia, que não tinha valor, etc. E nesse processo eu fatalmente ofendi um monte de gente que queria fazer e nunca teve chance, ou que fez e dava muito valor, ou que estava fazendo porque nada mais restava. Idiotice foi eu não ter atentado para isso enquanto (para variar) eu passava raiva por causa de pessoas que decerto nem sabiam que eu existia.

Agora, caso encerrado, eu olho em retrospecto e percebo que existe muito mérito em concluir um programa de Mestrado, mesmo se o mestrando não for o pesquisador mais talentoso do mundo. Tem o trabalho de pesquisa, tem o desenvolvimento do projeto, tem a questão de escrever a dissertação (que é de certa forma como escrever um livro), tem que apresentar o trabalho e defender seu ponto de vista… ou seja, a pessoa sai do programa bem melhor do que entrou.

A frustração que fica é por eu ter visto inúmeros trabalhos morrerem numa prateleira de biblioteca, mesmo tendo um grande potencial para se reverter em benefícios tangíveis para a sociedade. Inclusive o meu. Mas isso é outra história.

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