O hacker no supermercado

Até há poucou tempo eu morava sozinho, comia em restaurantes e, no máximo, pedia comida entregue a domicílio. Por isso, meu conceito de supermercado limitava-se a um lugar aonde ir repentinamente comprar cerveja gelada e salgadinhos: nuggets de frango Turma da Mônica com molho barbecue Kenko, ou Doritos. Costumava ir a um Bretas na avenida João Naves de Ávila, local que sempre detestei porque, digamos, TUDO é muito feio dentro, fora e ao redor do local, mas a proximidade geográfica era interessante. Deixei de frequentar o recinto quando eles pararam de vender cerveja gelada. Um absurdo. Daí passei a ser usuário do Carrefour.

Depois do casamento, meu “perfil de consumidor” alterou-se bastante. Hoje em dia, além da (eventual) cerveja, populam a minha lista de compras ítens como sabão em pó, arroz e até mesmo vegetais repugnantes. Por puro hábito, o Carrefour continua sendo meu destino frente a essa nova realidade. Daí sempre vem gente me dizer que eu preciso variar, tentar outros supermercados, por razões tais como preço, oferta de outros produtos, etc. No sábado passado decidi fazer uma visita com a patroa a um outro Bretas, o da avenida Rondon Pacheco. Meu motivo maior foi porque o Carrefour só tem oferecido sucos de manga e goiaba há umas três semanas, e isso é deprimente.

De fato, encontrei lá outros sabores de suco. Encontrei também uma gente chata na entrada, oferecendo alguma baboseira, a quem eu sem a mínima vergonha na cara falei “We don’t speak your language”, o que é verdade em muitos sentidos. Não encontrei muitos produtos mais baratos nem mais variados. Coloquei a mão numa cebola que se desfez em alguma coisa melada e fedida na minha mão. Pretendo jamais retornar ao local. A tentativa valeu pelo suco e por eu ter ouvido um diálogo existencialista entre dois jovens funcionários do supermercado:

– Eu já invadi um monte de computador. O úlitimo foi o do meu primo. Ele tem uma partição inteirinha de Naruto. Pensei em apagar tudo. E depois recuperar tudo pra ele, e cobrar por isso.

– Recuperar como?

– Ah, eu tenho esse programa, ele recupera tudo que foi apagado. Tudo, tudo, tudinho mesmo! E, imagina, você perde as coisas mais importantes da sua vida no seu computador, e eu sou a única pessoa que pode recuperar tudo, tudo, tudo, pra você. Imagina quanto eu posso cobrar.

– Quanto?

– No mínimo 6 mil reais. Eu não posso cobrar menos, é impossível. E é por isso que eu não apaguei os arquivos do meu primo. Ele não poderia me pagar 6 mil reais, e eu não posso cobrar menos.

 

Grande verdade existencial. Você passa a vida inteira sub-recompensado, sem poder cobrar o preço justo pelo serviço que somente você é capaz de realizar. Puta mundo injusto.

5 respostas para O hacker no supermercado

  1. Ariovaldo Jr disse:

    A probabidade do Ráquer chamar-se “Rafael” é de 83%. Tenho certeza disso pois fiz estatística umas 5 vezes! hahahaha

  2. renner disse:

    “We don’t speak your language”, KKKKKKKKKK.

  3. Gilmour disse:

    Acho melhor esse ráquer começar a rever os conceitos… No mundo atual é melhor ganhar pouco de muitos, do que muito de poucos!
    PS: Gostaria de ser tão bom em estatisca quando o Ariovaldo para poder confirmar esses cálculos, mas infelizemente eu sou um sujeito que sei nada sobre vários assuntos.

  4. Pedro Storti disse:

    Yeeeeeah h4rdc0r3 31337 sk3312!

  5. Gustavo disse:

    Maldade extrema no comentário do Believer. Haha!

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